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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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Editora: 12min
Nesta sexta feira, dezessete de abril de dois mil e vinte e seis, o basquete perdeu o jogador mais improvável que já existiu. Oscar Daniel Bezerra Schmidt morreu aos sessenta e oito anos, em São Paulo, depois de mais de uma década convivendo com um tumor no cérebro. Ele escolheu parar o tratamento em dois mil e vinte e dois. Disse que tinha perdido o medo de morrer. E que agora queria ser um marido e pai melhor.
Apelidado de Mão Santa, Oscar foi o maior cestinha da história do basquete por décadas... com quarenta e nove mil setecentos e trinta e sete pontos. Em dois mil e vinte e quatro, LeBron James ultrapassou essa marca.
Mas LeBron jogou na N Bi ei, a liga mais rica do planeta, com toda a infraestrutura do mundo. Oscar fez seus pontos no campeonato italiano, no espanhol, no brasileiro, e em cinco Olimpíadas. Sem holofotes da televisão americana. Sem tênis de assinatura. Sem contrato de cem milhões de dólares.
E ainda assim... o mundo do basquete se curvou diante dele.
Hoje, o Radar doze min não traz notícias. Traz cinco histórias que ajudam a entender quem foi esse homem. Cinco episódios que revelam por que um jogador que nunca pisou numa quadra da N Bi ei acabou no Hall da Fama... ao lado de Michael Jordan e Larry Bird.
Em mil novecentos e oitenta e quatro, Oscar disputou os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Tinha vinte e seis anos e jogava um basquete que deixava os americanos de boca aberta. Tanto que o New Jersey Nets, da N Bi ei, o selecionou no draft daquele ano. Oscar viajou para os Estados Unidos, participou do training camp, fez a pré temporada... e disse não.
A razão era simples, mas tinha consequências enormes. Naquela época, as regras da Federação Internacional de Basquete proibiam jogadores profissionais da N Bi ei de representar seus países em competições internacionais. Se Oscar assinasse o contrato com os Nets, nunca mais vestiria a camisa da seleção brasileira.
Ele escolheu o Brasil.
Muita gente olha para essa decisão e vê patriotismo. E tem razão. Mas tem outra camada. Oscar sabia que na seleção, ele era o protagonista absoluto.
Na N bi ei, seria mais um estrangeiro tentando se provar.
A decisão foi emocional, sim... mas também foi estratégica. Ele trocou a possibilidade de ser coadjuvante no maior palco do mundo pela certeza de ser protagonista num palco menor. E a história mostrou que a aposta funcionou.
A seleção não permitia atletas da N bi ei até mil novecentos e noventa e dois, quando nasceu o Dream Team. Oscar já tinha quarenta e nove mil pontos quando os americanos finalmente abriram a porta.
O que essa história ensina vai muito além do basquete. Às vezes, a melhor jogada de carreira não é aceitar a oferta mais glamorosa... é escolher o lugar onde o seu talento tem mais impacto.
O Brasil enfrentava os Estados Unidos na final dos Jogos Pan Americanos. Os americanos jogavam em casa. Tinham na equipe David Robinson, que depois seria estrela do San Antonio Spurs, Dan Majerle e Danny Manning. O time americano nunca tinha perdido uma final de basquete jogando em solo próprio. Nunca.
No primeiro tempo, os Estados Unidos abriram vinte pontos de vantagem. A torcida americana já celebrava. O técnico brasileiro, Ary Vidal, então fez algo que parecia loucura... liberou Oscar e Marcel para arremessarem de três pontos à vontade.
A linha de três pontos tinha sido introduzida havia apenas três anos no basquete internacional. Ninguém usava como arma principal. Ninguém arriscava uma final inteira jogando assim. Mas Oscar e Marcel fizeram exatamente isso. Foram dez cestas de três em vinte e cinco tentativas... algo que para a época era completamente fora do padrão.
O Brasil virou o jogo e venceu por cento e vinte a cento e quinze. Oscar fez quarenta e seis pontos naquela noite, trinta e cinco deles no segundo tempo. Quando a partida acabou, ele deitou na quadra com a redinha da cesta enfiada na cabeça, chorando.
Esse jogo mudou o basquete mundial. A derrota americana em casa, somada a outro revés na Olimpíada de Seul no ano seguinte, fez os Estados Unidos repensarem tudo. Decidiram enviar seus melhores jogadores da N Bi ei para competições internacionais. Daí nasceu o Dream Team de mil novecentos e noventa e dois, com Jordan, Magic e Bird. A dominância completa americana no basquete, como a conhecemos hoje, nasceu em parte como reação àquela noite em que Oscar desafiou as probabilidades.
E Oscar? Disse em entrevista que assistia àquela final todos os dias.
A terceira história envolve um garoto italiano que ficava na beira da quadra antes dos jogos, no intervalo e depois da partida... arremessando sem parar.
O pai de Kobe, Joe Bryant, jogou no campeonato italiano entre mil novecentos e oitenta e quatro e mil novecentos e noventa e um. Naquela época, Oscar também jogava na Itália, pelo Juvecaserta. O pequeno Kobe ia aos jogos e via Oscar fazer trinta, quarenta pontos toda noite. Ficava hipnotizado.
Kobe não chamava Oscar de Oscar. Chamava de La Bomba.
Anos depois, já como estrela do Los Angeles Lakers, Kobe contou que seu ídolo de infância não era Michael Jordan, nem Magic Johnson. Era aquele brasileiro alto que jogava contra o time do pai dele e acertava tudo. Em dois mil e treze, quando os dois se encontraram num evento em São Paulo, Kobe disse publicamente que cresceu assistindo Oscar e que sempre o chamou de La Bomba.
Oscar, por sua vez, contou uma história específica. Kobe lembrava de um jogo de All Star em mil novecentos e oitenta e oito em que Oscar acertou dezenove cestas seguidas. O garoto de seis anos tinha guardado aquele detalhe na memória por décadas.
Quando Kobe morreu em janeiro de dois mil e vinte, Oscar gravou um vídeo emocionado. Disse que era uma das piores tristezas que já sentiu. E que gostava de pensar que os dois eram amigos... porque o respeito era mútuo.
A conexão entre Oscar e Kobe é uma daquelas histórias que mostram como o talento viaja por caminhos inesperados. O maior jogador brasileiro de basquete, que nunca jogou na N Bi ei, plantou uma semente num ginásio italiano que floresceu em um dos cinco maiores jogadores que a liga americana já viu.
Oscar tinha quarenta e quatro anos. Seu filho, Felipe, tinha dezesseis. Naquela noite, contra o Mogi, pelo Campeonato Brasileiro, pai e filho entraram juntos na quadra como jogadores profissionais do mesmo time.
Oscar fez trinta e cinco pontos. Felipe entrou no fim do primeiro quarto e voltou faltando um minuto para o final. O garoto usava a camisa quarenta e um... o inverso da camisa catorze do pai. Naqueles poucos minutos, Felipe fez uma cesta de três pontos, depois que Oscar armou um bloqueio para o filho arremessar. E a dez segundos do fim, Felipe marcou mais dois pontos. O Flamengo venceu por cento e oito a oitenta e sete.
Quando perguntaram a Oscar qual tinha sido a maior emoção da carreira, ele não mencionou o Pan de oitenta e sete. Não falou dos quarenta e nove mil pontos. Não citou o Hall da Fama. Disse, com os olhos marejados, que não viveu nenhuma emoção maior do que dividir a quadra com o filho. E brincou... "Quando me disseram que ia jogar com ele, eu ri e falei: ele que vai jogar comigo."
Felipe não seguiu no basquete. Virou diretor de vídeos musicais. Mas aquela noite ficou. Três times aposentaram a camisa catorze de Oscar... o Flamengo, o Caserta, na Itália, e o Pavia, também na Itália. Mas nenhuma homenagem institucional substitui o que aconteceu naquela quadra em dois mil e dois.
Em setembro de dois mil e treze, ele tinha cinquenta e cinco anos e acabava de sobreviver a uma cirurgia para remover um tumor maligno no cérebro. Ninguém sabia da doença até quinze dias depois da operação, quando a imprensa descobriu num jantar que celebrava o cinquentenário da seleção brasileira bicampeã mundial.
Mesmo debilitado, Oscar viajou para Springfield, em Massachusetts, para a cerimônia de indução ao Hall da Fama do Basquete. No salão estavam Magic Johnson, Pat Riley, Gary Payton. E ao lado dele, no palco, Larry Bird... o jogador que Oscar considerava o maior de todos os tempos.
Oscar fez um discurso de dezoito minutos. Falou em inglês. Agradeceu à família, aos treinadores, ao Marcel, parceiro do Pan de oitenta e sete. E disse uma frase que arrancou risadas e aplausos... "Estar aqui me lembra a vitória de oitenta e sete. Batemos os americanos dentro da casa deles. É... me desculpem."
Mas o momento mais forte veio quando ele falou da esposa, Maria Cristina, com quem era casado desde mil novecentos e oitenta e um. Com os olhos cheios de lágrimas, contou que aos dezessete anos se lesionou e ficou um ano fora do Palmeiras. E que foi ela quem o sustentou naquele período... quando ele não era ninguém.
Oscar foi apresentado ao Hall por Larry Bird. No vídeo que antecedeu o discurso, Bird disse que considerava Oscar um dos melhores jogadores que já viu e que ele acertava de qualquer distância. Um elogio vindo de Bird, que era conhecido pela arrogância saudável e por raramente elogiar alguém, diz tudo.
Oscar foi um dos cinco jogadores não americanos listados entre os cem maiores da história no livro oficial do Hall da Fama. Cinco. Em cem. E ele nunca jogou na N Bi ei.
Quando soube do diagnóstico do tumor, em dois mil e onze, fez a cirurgia e enfrentou a quimioterapia. Quando decidiu que o tratamento era agressivo demais, parou. Disse que antes morria de medo de morrer, mas que graças ao tumor tinha perdido esse medo. Transformou a doença em combustível para suas palestras. E continuou jogando futebol três vezes por semana com o time Oscar e Amigos.
O irmão dele, Tadeu Schmidt, é um dos jornalistas mais conhecidos do Brasil. O sobrinho, Bruno Oscar Schmidt, é medalhista olímpico no vôlei de praia. Mas na família Schmidt, o nome que veio primeiro no esporte... e que vai demorar mais para ser esquecido... é Oscar.
Quarenta e nove mil setecentos e trinta e sete pontos. Cinco Olimpíadas. Maior cestinha olímpico de todos os tempos. Hall da Fama. E zero jogos na N Bi ei. Esse é o currículo de um homem que provou, durante trinta anos, que existem muitas formas de ser o maior... e que a mais óbvia nem sempre é a mais bonita.
A morte de Oscar Schmidt chega num momento em que o basquete brasileiro vive uma fase de crescimento, com o NBB ganhando audiência e jogadores brasileiros tendo mais presença na N Bi ei. A história de Oscar levanta algumas reflexões que valem a pena considerar.
Primeiro, sobre carreira e escolhas. A decisão de Oscar de recusar a N bi ei é um caso real de trade off entre prestígio e propósito. Se você está num momento de carreira em que precisa decidir entre a opção mais visível e a opção que faz mais sentido para quem você é... Oscar é um estudo de caso. Ele não sabia se a escolha daria certo. Mas sabia o que queria.
Segundo, sobre legado e reconhecimento. Oscar foi reconhecido pelo Hall da Fama décadas depois de jogar. Os maiores do mundo sabiam quem ele era. Kobe sabia. Larry Bird sabia. O reconhecimento veio, mas no tempo dele, não no tempo do mercado. Se você trabalha numa área onde os resultados demoram a aparecer, essa história serve de lembrete.
Terceiro, sobre saúde e decisões pessoais. Oscar decidiu interromper o tratamento do câncer. Viveu mais quatro anos depois dessa decisão. Não existe certo ou errado universal aqui, cada pessoa e cada caso são diferentes. Mas a forma como Oscar falou sobre a morte, sem drama e sem negação, abriu uma conversa que muita gente evita. Se alguém próximo a você está passando por uma situação semelhante, saber que Oscar falou abertamente sobre isso pode ajudar a quebrar o silêncio.
E quarto, sobre o basquete brasileiro em si. Oscar ajudou a criar o Dream Team ao derrotar os americanos em oitenta e sete. Mudou as regras do jogo internacional sem querer. Hoje, o basquete brasileiro precisa achar o próximo capítulo da sua história. Oscar deixou o roteiro. Falta alguém continuar escrevendo.
Obrigado por tudo e descanse em paz Oscar Schmidt, você é o melhor de todos os tempos nos nossos corações e um dos melhores de todos os tempos no coração de muitas lendas por aí.
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